Todos os anos desde 2008 – com exceção de 2012 por causa do
nascimento da Julia – meu último dia do ano tem agenda pronta. Preciso estar na
Avenida Paulista para correr a São Silvestre. É uma questão bem mais
sentimental do que esportiva.
Pra mim, Correr a São Silvestre é como um compromisso comigo
mesmo como atleta. Significa que estou renovando meus votos esportivos.
Significa terminar um ano correndo e começar o próximo ano correndo também.
Além disso, tem a Aline também, que desde 2008 me incentivava participar dessa
prova. Na minha primeira São Silvestre ganhei a passagem de presente dela. E
desde 2009 ela vai pra lá comigo e tem o mesmo sentimento em relação à prova. A
São Silvestre ajudou a fortalecer nossa relação.
Mas chega de explicações. É hora de contar pra vocês que, em
termos de rendimento, essa foi minha pior São Silvestre da história. E não foi
só por falta de treino – confesso que não tive um ano regular, mas terminei o
ano treinando forte e correndo bem melhor. Minha última corrida antes da São
Silvestre havia sido a Night Run, no dia 14 Dezembro. Fiz os 10 kms daquela
prova em 48:30, então já estava voltando a correr abaixo de 5 minutos por km,
que neste momento é meu alvo de rendimento.
O problema da São Silvestre foi a véspera. No final da tarde
do dia 30, no hotel, entrei na roubada de fazer sauna. Devo ter ficado uns 30
minutos na sauna a seco e derreti um monte entre entradas e saídas para tomar
ducha fria. Na hora nem me toquei da bobagem que estava fazendo. Mas durante a
prova lembrei muito bem.
Já no km 5 da São Silvestre minhas coxas, que nunca reclamam
de nada, começaram a reclamar. Estava fraco de perna. Estava, na realidade,
desidratado por causa da sauna que havia feito umas 15 horas antes. E isso me
fez mudar toda a prova.
Percebi a “cagada” na hora e mudei totalmente minha prova.
Tenho uma experiência bem traumática de desidratação com reflexo de câimbras na
Maratona de Florianópolis, em Abril de 2009, quando corri por 14 km com câimbras
por causa da desidratação, então sabia o que fazer. E não tinha jeito mesmo. O
negócio era tentar se divertir.
Então passei a valorizar todos os postos de água. Parava e tomava
a garrafinha inteira. Geralmente, nas corridas, não faço isso. Geralmente eu
passo correndo, pego o copo d’água, tomo um gole ou dois e sigo adiante. Na São
Silvestre, desta vez, eu passei a tomar muita água. E andei e corri por alguns
kms. A ideia era não deixar chegar nenhuma câimbra, pois se isso acontecesse,
nem mesmo a curtição da prova eu teria – e daí nada valeria a pena.
Consegui ir administrando para chegar mais forte no final.
Quando começou a Brigadeiro eu coloquei na cabeça que não podia mais
administrar a situação e iria correr. Afinal, pra mim, a São Silvestre começa
na Brigadeiro. E assim fiz. Subi bem a Brigadeiro, apesar de tudo. E terminei a
prova ainda feliz por estar ali e por tudo que representava pra mim. Cruzei a
linha de chegada com 1h33minutos – distante dos meu melhores 1h13minutos de
2008 – mas tranquilo em relação a isso.
Corridas são assim. Há sempre algo a aprender e as
experiências vão se acumulando e ajudando com o tempo. Essa foi mais uma.
Serviu de experiência para uma próxima e tudo que já corri serviu também pra
que eu soubesse o que fazer durante a prova.



Muito legal a iniciativa de voltar a escrever, Rodrigo.
ResponderExcluirQuem sabe assim, você consiga trazer mais pessoas pra corrida, assim como fez comigo!
Serei leitor assíduo.
Grande Abraço!
LG
Também fiz bobagem em 2012. Sai forte demais e acabei pagando no final. Por coincidência, também fechei com 1:33.
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