Com as coberturas esportivas deste mês – o Congresso da
Fifa, o WTA, o clássico e os desdobramentos dele – estou com pouco tempo de
escrever, mas tento sempre registrar aqui sentimentos, pensamentos e sensações
dos treinos; ideias sobre a prática da corrida; e curiosidades.
Nesta últimas duas semanas os treinos têm sido bem puxados,
com aumento de volume gradativo visando a meia-maratona do final do mês que
vem. Semana passada encarei tiros do 800 metros na segunda, fartlek na quarta e
longo de 15kms no sábado; essa semana foram tiros de 600 na segunda, tem fartlek
entre hoje e amanhã e longo de 17kms no sábado.
Sábado passado eu sofri bastante no longo. Fiz com o amigo
Andrei Lauer, que trabalha com o pessoal da Latin, e garanto que se não fosse a
parceria dele talvez tivesse largado antes. O problema foi a questão
fisiológica, que é a química do corpo e aquilo que eliminamos e precisamos repor
mesmo durante o treino. Fiz o treino na seca, sem água nem reposição de
carboidratos, mesmo sabendo que tinha tudo pra dar errado.
Fomos 7,5 e voltamos 7,5kms e a segunda perna do longo
estava sofrida. Me senti sem forças e fazendo um esforço enorme para suportar a
corrida. Não foi legal, mas sempre se tira alguma conquista, mesmo quando as
adversidades são maiores. Já desde o 10kms eu estava me sentindo assim travado
de pernas.
Andrei foi me puxando nessa volta e fazendo uma conversa positiva sobre
enganar a mente, daquelas que a gente já conhece, mas que sempre funcionam. O cara tá muito bem. Tá fazendo 15kms de brincadeirinha. Já eu estou ainda na reconstrução. Mas voltando ao treino, na minha mente sempre que estou assim travado e com dificuldades eu penso em ir só
mais um km. Assim vou me enganando de forma consciente. De mais um km em mais
um km eu chego à distância que tenho que chegar.
Consegui correr os 5kms finais mesmo assim travado e ao final dos 15 fiz uma reposição rápida. Já na primeira
meia hora depois do treino estava recuperado. Como Andrei mesmo disse “é o fisiológico e
não o físico. O Físico te trouxe até aqui e o fisiológico quase te fez parar” –
e foi bem isso. Acrescento ainda que ter um longo caminho de quase nove anos de
corrida também ajuda muito nessas horas. A consciência dos problemas sempre
facilita na hora de resolver. Meu único medo foi com as panturrilhas, que estavam
pedindo trégua por causa da falta de água.
Mas foi bom de todo jeito. A superação também constrói para
o alcance do objetivo final. Sábado tenho longão de 17km em pleno carnaval.
Como eu não sou muito da folia, não tem problema.
Abraços


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